Mudaram as estações…
Nada mudou. E mesmo que tenha mudado, não é algo relevante. Estou falando do que vivo, vejo e sinto. As pessoas dessa cidade continuam as mesmas, só que em corpos diferentes (mais jovens), os lugares permanecem os mesmos em endereços diferentes. Desagradáveis os lugares e as pessoas, em sua maioria. Medíocres muitas vezes. Isso tem feito eu querer andar sozinho ultimamente, me fechar demais, rejeitar tudo e todos. E começo a ter medo, porque não sei até onde isso é bom - sim, é bom - pode ser que um dia isso tudo se volte contra mim e a solidão se torne involuntária. Daí vem a carência, e se acende o estopim pra fazer merda (quem nunca fez merda enquanto carente, atire a primeira pedra).
Tô precisando de um acidente. Eu queria muito que acidentalmente - porque do jeito que eu não estou estudando, não tem outro jeito - eu passasse nessa prova pra mudar de cidade, de casa, de vida. Tenho absoluta certeza que se eu estudasse o mínimo, conseguiria. Mas eu não consigo querer, e acho que isso também é culpa desse meu novo costume de me fechar no meu mundo… Minha cama, meu quarto, meu celular, minha mesa-redonda da rodada do final de semana, que me faz perder horas na frente da TV. É tudo muito simples, mas tão bom… Pois é, preciso de um acidente, e eu ando sonhando que ele venha em forma de gente, alguém que me traga mais vontade de viver, me clareie a visão e traga a vontade de querer sair do meu mundo. Por enquanto, sigo me privando do “algo mais”, e do que me espera lá fora.
“I want to feel the car crash,
Cause I’m dying on the inside.
I want to let go and know that I’ll be alright, alright…”