Culpada.
Ontem eu vi uma garota chorando. Era uma mistura de álcool, ódio, e decepção, mas era um choro de verdade, e quando uma mulher chora (de verdade), há sempre algo de muito intenso por trás pra ser observado. E foi assustador, me fez lembrar de mim alguns anos atrás, no meio de um ponto de ônibus… mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso, é de novo a questão do aprendizado. Nesse último e lotado ano, uma das coisas que aprendi é que sempre, e invariavelmente, devemos atribuir a culpa das nossas decepções - amorosas, profissionais e etc. - a nós mesmos. Ok, talvez nem tudo seja nossa culpa, mas é assim que temos que pensar que é. É preciso auto-critica severa durante e depois das decepções. Por quê? Pra alcançar o que desejamos. É! Numa luta o cara que apanha não pode reclamar porque o cara que bate tem um soco forte… precisamos nos culpar mais. E aí eu vejo tanta gente passando a bola, esperando milagres, não assumindo a responsabilidade das suas próprias decepções, confiando demais nas pessoas…
Porra, e ainda tem o vício. Tem gente que é viciada em alimentar decepções, só pra poder culpar alguém ou algo, e tem gente que finge que aprendeu, quando no fim não aprendeu porra nenhuma e continua alimentando… Mas a garota de ontem não era assim, o que me assusta ainda mais. Quando vejo alguém de espírito forte se entregar, dá vontade de entrar e interferir na luta. Mas nada que um amigo faça no campo de sorrisos, conselhos, carinhos e ombros pra chorar, vai mudar o fato. E às vezes até atrapalha, porque é nessas horas que devemos ser o nosso próprio consolo. Devemos saber a hora de deixar a zona de conforto e aprender sozinhos, nos levantar sozinhos, e dar a volta por cima sozinhos. Isso é essencial, ninguém consegue viver plenamente em paz se não conquistar algo por/para si. É difícil para o humano conseguir enxergar, é mais difícil ainda no ápice da dor, mas conseguir isso na maioria dos casos pode significar uma mudança, e quem se torna forte, jamais volta a ser fraco. É hora de enxugar as lágrimas, injetar ceticismo no coração, deixar pra trás o que te faz mal sempre que for possível, e principalmente: fazer uma autópsia da sua decepção. Os erros são sempre seus, pra você fazer o que quiser com eles. É como diria o meu mais novo personagem-inspiração, Hank Moody: “não existe certo ou errado, o que existe são as consequências das suas escolhas.”
You can’t always get what you want
but if you try sometimes
you might find you get what you need…